quinta-feira, 3 de julho de 2014

Eu vim com defeito.

Eu vim com defeito e porque vim com defeito enfrentei a fila da lotérica para pagar um boleto cujo corpo carregava a mensagem: apenas banco do Brasil. 
Porque vim com defeito, minha estrias estão aumentando, não é o refrigerante, nem a calça jeans, sou eu que está com estrias. 
Porque vim com defeito, tenho fracassado tantas vezes e mantido intacta a ideia de que fiz a minha parte. 
Porque vim com defeito, estou sempre certa.
Porque vim com defeito, uso a internet por mais horas do que deveria e amaldiçoo meus professores pelos curtos prazos todo fim de semestre.
Porque vim com defeito, comprei aquele salto rosa choque e o calçava para desfilar toda torta pelos corredores do shopping. 
Minha mãe também tem defeito, por que raios essa mulher me deixava fazer isso? 
Porque vim com defeito, gasto meu dias em busca da fórmula que solucione minha insatisfação com o mundo, com o que escolhi estudar primeiro, com a minha vida amorosa e meus seios pequenos. 
E, principalmente porque vim com defeito, resolvi que não volto pra fábrica, aos 19, já estou bem fora da garantia.
Na verdade, quem é que garante alguma coisa?
Então, belo rapaz, não me pergunte o que faço sozinha de uniforme vermelho sentada nesta praça sob o sol das 8 horas cantando Mambo Number Five em voz alta. 

O nome disso ... é defeito. 

E porque vim repleta deles, permita-me desafinar. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Quando você me chama de bonita eu fico querendo gritar pro mundo a minha felicidade. 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

sábado, 24 de maio de 2014

E o resto é mar, é tudo o que eu não sei contar 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Pegar ônibus tem seu tanto de miséria e seu pouco de magia.

Ora e eu te digo porque. 
A miséria está em acordar mais cedo, a magia está no exercício de correr até o ponto. 
A miséria está em contar as moedinhas da passagem, a magia em descobrir que há dinheiro suficiente.
No ônibus, sempre tem uma grávida bem humorada, a miséria está naquela moça chata com roupas de academia, nunca mais lhe dei bom dia.
Porque pego o ônibus, chego mais cedo ao trabalho e do ponto até lá existe uma praça.
A magia está em ter tempo para me sentar na praça e ouvir minhas músicas sob um sol que dizem não me envelhecer. 
De carro, digo o carro dos outros, utopia seria eu ter um carro agora, nunca da tempo de ligar o som, imagine de sentar na praça. 
Estou sempre com pressa e quase perdendo a hora, me falaram que isso sim envelhece.
A miséria de pegar ônibus é no inverno, passar frio dentro e fora dele.
A magia está na sacola de mercado da senhora que foi correndo comprar um bife pra quando o neto chegar.
A miséria está na chuva que só caiu na minha vez de descer, mais miséria ainda foi naquele dia que o maldito quebrou a caminho da reunião. 
A magia estava no rapaz que pediu para segurar minhas coisas e então eu teria onde me apoiar, mais magia foi encontrada na criança que pedira à mãe para ligar para seu pai e dizer que o amava, até chorei, mas cuidei para que não percebessem.
A miséria está nas condições das linhas que pego, pois nem se parecem com aquela amarela ou antes eu morasse em Curitiba.
A magia está em cuidar da vida dos outros e deixar que cuidem da sua também, porque elas, todas elas, estão repletas de miséria, com sua parcela de magia. 
Veja, acabo de conseguir um lugar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

eu não entendo, mas continuo tentando entender

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Dezedez

Fazer aniversário, tava pensando ... 
Essas datas são boas, a gente se lembra de quem nos quer bem de verdade e do quanto isso pode ser recíproco.
Não só por isso.
Quem inventou o calendário e a horas, que provavelmente não foi a mesma pessoa, ou uma pessoa só, em inglês eu diria "had a point".
Olhe só, no calendário e de acordo com ele, nenhum dia é igual a outro, ou se repete. Mesmo considerando que anos podem ser a.c. ou d.c. então teríamos dois 500 anos, por exemplo, eles carregam essa nomenclatura.
O que eu quero dizer é que mesmo que você se esforce, nenhum dia será igual ao outro, nem voltará. 
Nem mesmo em formato de memória, já que na memória há o seu ponto de vista que não é, definitivamente, igual àquele dia, é como você vê ou prefere ver as coisas. 
Todas essas reflexões são igualmente válidas para as horas. 
Ninguém pode voltar as horas e elas, quando iguais, pertencem a dias diferentes.
Fazer aniversário é saber que eu nunca mais farei dezenove anos e/ou qualquer coisa como dezesseis dezessete dezalgum número. 
Não existe dezedez.
Daqui a pouco são vinte e vinte, pra mim, é algo muito próximo de não ser mais criança. 
Eu não posso deixar de ser criança, apesar das frases motivadoras da internet me afirmarem o contrário. 
Eu estou deixando de ser criança sim. 
As coisas estão mudando sim! 
Eu não mando no calendário e toda a sua organização.
Até desregulo o relógio, mas nada com muito sucesso.  
Eu não quero parecer mórbida, então se esforce para não me interpretar assim, só que a ideia da morte, apesar de me causar fobias e instantes de desespero, é também muito fantástica.
Se sabemos que uma hora acaba e depois que acaba ninguém tem certeza do que acontece, a gente se esforça pra que não acabe tão rápido. 
E também pra que quando acabar, que acabe de um jeito bom, ou de um jeito certo, certo pra nós mesmos, ao menos.
Porque o objetivo é que alguma coisa valha a pena. 
Eu queria ter inventado o calendário ou alguma coisa importante, tipo como todo corpo tende a ficar parado se nenhuma força agir sobre ele. 
Quem não pensou nessas coisas antes dessas pessoas terem pensado primeiro? São coisas tão lógicas.
É óbvio que nenhum dia é igual a outro e óbvio que eu não vou levantar do sofá.
Mas eu só invento a mim.
Me reinvento ficando mais velha, estar mais velha tem seu lado belo.
Eu até gosto, só que me faz refletir o que de bom tenho feito por estar aqui.
Dá vontade de fazer mais coisas, e isso, já é um começo. 
É começo também estar quase vinte.